Sobre relacionamentos e convergências
No primeiro date que tive com minha honorável esposa, na época em que a gente ainda estava se conhecendo, eu a levei pra ver o Inferno. É sério. O filme Inferno, baseado no livro do Dan Brown, tinha estreado nos cinemas já fazia um mês, mas foi só em novembro que resolvemos ir lá assistir.
Naquele dia eu tava desesperado, tremendo igual uma máquina de lavar no estágio da centrifugação. Inclusive, eu sentia as coisas dentro de mim se revirando. Ela já sabia da minha timidez, mas não imaginava que fosse nesse nível. Então, ela apelou para uma das suas maiores habilidades: abriu a boca e deixou o espírito falar.
Nossa, ela falou MUITO, bicho! Em uma tarde contou a vida dela inteira, falou das amigas, falou das inimigas, explicou os perrengues do passado, os acertos também... enfim! Na metade do rolê eu já era um Pokémon nocauteado. E naquele momento constatei o fato definitivo: era muito provável que eu estivesse diante da minha futura esposa.
Claro, as coisas não foram tão simples assim, né? Mas não vou aqui entrar no detalhe. O caso é que, desde então, nosso relacionamento vem acontecendo. Nós somos pessoas opostas em alguns aspectos, tipo aquele negócio de "opostos complementares", sabe? Mas também somos muito similares em outros pontos, afinal um relacionamento só funciona se houverem convergências.
Você nunca vai encontrar a pessoa perfeita, que te tratará como uma divindade olímpica 24 horas por dia, sete dias por semana. Mas, por outro lado, também não vai funcionar se você se relacionar com alguém de gostos completamente opostos aos seus, aquele tipo de gente que você fala A e ele fala B, você quer descer e ele quer subir. Não tem como, esse tipo de relacionamento não rola mesmo.
Quando digo convergência, eu não tô falando apenas de "séries favoritas" ou "vocês gostam dos mesmos estilos musicais". A questão aqui é mais profunda. Quais são as suas expectativas para o futuro? Seu ideal de vida é se fixar em um lugar para construir um castelo de memórias e conquistas? Ou você prefere viajar o mundo em busca de aventura, colecionando um montão de experiências únicas? Independente do seu objetivo de vida, a sua vibe e a da pessoa com quem você se relaciona precisam convergir, estar em sintonia.
Bem, ao menos é assim que acontece aqui em casa. Depois desses oito anos e pouco juntos, eu e a Dedeia seguimos vivendo. Papeamos muito todo dia (sim, nesse meio tempo aprendi a técnica milenar de abrir a boca e deixar o espírito falar), trocamos experiências, aprendemos um com o outro, fofocamos, jogamos games e assistimos vários negócios, reclamamos muito dos outros e damos muitas risadas. Estamos sempre nos apoiando em tudo, de forma mútua.
Sou infinitamente feliz ao lado dela e esse é o meu ideal de relacionamento.

Eu dei muita risada lendo esse texto! Passamos por muita coisa nesses últimos 8 anos e tem sido uma aventura incrível! Amo você!
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