Fala alguma coisa, Jeff!

A minha vida inteira eu sempre ouvi as pessoas dizerem essa frase pra mim. Eu tô em uma reunião de amigos ou família, em evento social XPTO, ou até mesmo no carro ou transporte público com algumas pessoas indo pra um lugar. É nessa hora, depois de uns minutos de diálogo, que as pessoas viram pra mim e dizem brincando, fingindo uma bronca: "Fala alguma coisa, Jeff! Você tá muito quieto! Fala aí alguma coisa!".

Não tô dizendo que façam por mal, sei que é apenas uma forma deles me incluírem na conversa. De qualquer forma, até hoje isso é bem recorrente, apesar de eu ter "melhorado" bastante desde a adolescência. Ainda assim, de tempo em tempo essa "ordem" volta a aparecer. E talvez essa seja a frase mais comum, que pessoas tímidas como eu mais costumam ouvir. E, bem, foi daí que veio a ideia para o título do blog.

Mas como era antes e como tá agora?

É engraçado como o ponto de vista sobre as coisas vai mudando conforme o tempo passa, né? Quando eu era criança lá nos anos 90, rolava uma discriminação muito louca com pessoas quietas. Seres humanos são sociais, então você precisa agir, precisa dar sua opinião sobre tudo, chamar a atenção das outras pessoas, se destacar.

Claro, essa é a premissa até hoje, e as redes sociais estão lotadas de exemplos desse comportamento de "Hey, olha pra mim! Confere aqui o que eu tô fazendo! Se puder, me manda um dinheiro aí!". Mas acontece que, de lá pra cá, eu vejo um movimento separando os quietos em duas categorias: os tímidos e os introvertidos.

Basicamente, os tímidos são pessoas quietas por causa de alguma fobia social. É um medo maluco de ser julgado e ridicularizado pelos outros. Medo de cometer erros, medo de ficar em evidência de uma forma negativa (ou até mesmo positiva, dependendo do caso). O tímido fica travado. E, a partir desse senso, o tímido é visto como psicologicamente desequilibrado, "precisa ser tratado com terapia".

Já os introvertidos, não! Introvertido é a pessoa quieta que tem o psicológico muito bem resolvido. Ela é quieta porque quer, mas quando precisa interagir é uma beleza! Zero medos. E, além disso, ele ainda é um super observador e estrategista. Enquanto ele está quietinho ali no canto, está observando todo mundo e planejando altos rolês revolucionários na incrível cabeçona dele. Um gênio!

Ok, mas você tá falando sério?

Você sabe, a vida não é tão simples assim. Essa coisa de tímido versus introvertido, na prática, nem existe. O que eu quero dizer é: até que ponto o introvertido tem um psicológico tão certinho? E até que ponto o tímido tá tão descompensado? A verdade que as pessoas quase nunca aceitam é que nada funciona desse jeito, preto no branco, oito ou oitenta.

Sendo assim, se você, lendo esse texto, tem algum tipo de fobia social braba, daquelas paralizantes, não se sinta menor. Eu sei como é difícil. Nós ficamos impotentes e somos tragados por uma enchente de memórias de situações constrangedoras que já vivemos por culpa da timidez.

Mas, nesses momentos, tente se lembrar: na vida cada momento é inédito. Se no passado uma coisa deu errado, não significa que vai continuar dando errado sempre. Muitas vezes a chave pra encontrar a solução de um problema tá na mudança de perspectiva. Ver o copo meio cheio, sabe? Entender que isso é uma jornada e que tá tudo bem se você prefere ficar quietinho no seu canto em vez de sair se expandindo pelo mundo. No fim das contas, o importante são as experiências.

Comentários

  1. Parabéns pelo texto! E por abrir um tópico que sempre foi tão sensível para você!

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